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Caminhos para pensar o Brasil 
com 
Lenira Carvalho 

O Projeto

Lenira Carvalho foi uma importante liderança das trabalhadoras domésticas no Brasil e, ao longo da sua trajetória de luta, elaborou muitas reflexões sobre a sociedade brasileira. Quem teve a oportunidade de conhecê-la normalmente guarda um sentimento de aprendizado vivo desse convívio. Neste projeto, propomos roteiros pedagógicos que podem ser utilizados na discussão de doze temas em sala de aula ou espaços de formação política, a partir de duas obras que apresentam a sua história e o seu pensamento: o livro A luta que me fez crescer e outras reflexões e o filme Digo às companheiras que aqui estão.

O trabalho doméstico remunerado atravessa toda a sociedade brasileira. É o trabalho que mais emprega mulheres no país, encontraremos trabalhadoras domésticas em casas de diferentes extratos sociais, no campo e nas cidades, em diferentes bairros. Mas apesar de ser uma categoria tão extensa e fundamental para que o país siga funcionando nos moldes como funciona, ainda sabemos muito pouco sobre o cotidiano e o significado desse trabalho a partir do ponto de vista das próprias trabalhadoras. Conhecemos pouco os desafios colocados para a construção da identidade política desse grupo social, a trajetória de luta da categoria e desconhecemos personagens centrais na história da conquista de seus direitos.

 

Pensar sobre o Brasil tendo o trabalho doméstico como ponto de partida aprofunda o que entendemos sobre o país, e Lenira Carvalho desenvolve esse exercício com grande riqueza analítica. Na medida em que fala sobre desigualdades estruturais, ela destrincha como a dominação e a exploração se dão no cotidiano e atravessam os sentimentos de quem as vivencia, entrelaçando discussões sobre a forma como a sociedade está organizada à construção de si das trabalhadoras. Ela desenvolve uma caracterização que se conecta às experiências de vida das mulheres que trabalham como domésticas e às experiências que perpassam o dia a dia de quem contrata seu trabalho, abrindo um clarão sobre cenas e opressões cotidianas obscurecidas pela naturalização.

As reflexões reunidas no livro e no filme que dão suporte aos roteiros pedagógicos desse material apresentam um modo de olhar para o Brasil extremamente crítico, inquietante e original. Não falam apenas sobre o cotidiano do trabalho doméstico e seus elos com a escravidão, mas também sobre a organização política da categoria em momentos-chave da nossa história recente, como os anos que antecederam o golpe militar de 1964, a ditadura empresarial-militar vivida pelo país entre 1964 e 1985, a organização popular na constituinte e as relações construídas pelas trabalhadoras domésticas com alas progressistas da Igreja Católica e com movimentos feministas no país ao longo do processo de luta e conquista pelos seus direitos. Esses são alguns dos temas explorados nos roteiros pedagógicos que compõem esse material. Propomos, ainda, discussões conceituais sobre classes sociais, trabalho e movimentos sociais e nos debruçamos sobre a forma como Lenira elaborava conhecimento a partir da sua experiência. A partir do filme Digo às companheiras que aqui estão, propomos também exercícios de reflexão sobre o papel do audiovisual no nosso jeito de conhecer e pensar sobre o mundo.

Em um momento como o que estamos vivendo, de intensas disputas sobre o que é, o que foi e o que pode ser o Brasil, acreditamos que promover espaços de discussão coletiva a partir das lentes críticas de alguém que buscava entender o país para construir uma sociedade mais justa e igualitária é um bom exercício de reflexão e transformação. Um dos desejos que moveram esse projeto é o de que o pensamento e a história de Lenira Carvalho sejam conhecidos por mais pessoas e possam circular em diferentes espaços, como uma forma de fazer com que as suas inquietações despertem novas indagações no encontro com outros públicos.

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Realização

Apoio

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